sexta-feira, 22 de maio de 2009

Alternativas para testes em Animais







As Alternativas

O que são alternativas?

Definimos alternativas como recursos educacionais ou abordagens educativas que substituam o uso de animais ou complementem práticas humanitárias de ensino. A educação humanitária no ensino de ciências pode ser encontrada quando:

- estudantes são respeitados em sua liberdade de escolha e opinião

- animais não são submetidos a sofrimento ou mortos em praticas educativas

- os objetivos educacionais são obtidos utilizando-se métodos e abordagens

alternativas

- a educação estimula a visão holística e o respeito à vida

Alternativas são Inovadoras: A adoção de métodos alternativos mantém a educação atualizada e sincronizada com o progresso tecnológico, com o desenvolvimento de métodos de ensino e contribuem para o pensamento ético. Mostram o respeito para com as considerações éticas dos professores e estudantes, e para com os animais. Com várias alternativas, os estudantes podem aprender em seu próprio ritmo. A qualidade da educação é acentuada, criando um ambiente saudável de aprendizagem com o mínimo de conflitos negativos, distração ou complicação. Muitos métodos humanitários de ensino são simples, previsíveis e repetitíveis, de modo que princípios experimentais e objetivos posam ser aprendidos eficientemente. A auto-experimentação pode ser altamente memorizável e divertida, e alternativas avançadas como realidade virtual e multimídia são excitantes no uso.

Alternativas são Eficientes: O uso de alternativas e uma combinação de cuidados específicos no ensino possibilitam o alcance dos objetivos de ensino de qualquer prática com animais. Além do mais, estudos publicados que têm avaliado a eficiência de métodos alternativos tem mostrado que os estudantes que optam por alternativas aprendem tão bem quanto, e em alguns casos melhor, que os estudantes que utilizam o método tradicional de experimentação animal. Alternativas são mais econômicas também: muitas alternativas e mesmo métodos de ensino são baratas quando comparadas ao gasto com a manutenção, compra ou criação de animais. Outras alternativas requerem um gasto inicial considerável, mas os benefícios do investimento são aparentemente imediatos, e os custos podem ser cobertos à longo prazo, pois poupam o gasto exigido com o uso de animais.

Modelos e Simuladores: Modelos e simuladores mecânicos podem ser muito úteis ao estudo de anatomia, fisiologia e cirurgia. Eles vão de modelos simples e baratos à equipamentos computadorizados. Modelos mecânicos como simuladores de circulação podem oferecer uma excelente visão de processos fisiológicos, e simuladores de pacientes ligados à computadores e manequins, e controles sofisticados de operação estão substituindo cada vez mais o uso de animais no treinamento médico.

Filmes e Vídeos Interativos: Filmes são baratos, fáceis de se obter, duradouros e fáceis de usar. Eles oferecem a possibilidade de repetição, utilizando câmera lenta, e mostrando detalhes em closes. A adição de gráficos, animações e elementos interativos podem acentuar o seu valor educativo; e com faixas audio-visuais os estudantes podem acompanhar uma gravação de um experimento enquanto monitoram os equipamentos que registram os detalhes do experimento.

Simulação Computadorizadas e Realidade Virtual: Alternativas computadorizadas podem ser altamente interativas e incorporar outros meios como gráficos de alta qualidade, filmes, e frequentemente CD Roms. Eles podem ser baseados em dados experimentais atuais ou serem gerados de equações clássicas, e podem incluir variação biológica. Alguns permitem a adaptação pelos professores, de modo a possibilitar os objetivos específicos da aula. A aprendizagem através de computadores não apenas permite a exploração de disciplinas por novos caminhos e em grande profundidade, como também capacita os estudantes para um futuro onde a Informação-Tecnologia terão um papel dominante. Desenvolvimentos no campo da realidade virtual têm possibilitado o uso de técnicas de imagem de alta qualidade no trabalho de diagnóstico e tratamento no estudo e prática de medicina humana. Com as técnicas disponíveis atualmente, o desenvolvimento de novas alternativas computadorizadas e o aperfeiçoamento de produtos existentes é quase ilimitado.

Auto-Experimentação: Estudantes de biologia e medicina de muitas universidades participam ativamente em práticas cuidadosamente supervisionadas onde eles são os animais experimentais para o estudo de fisiologia, bioquímica e outras áreas. Ingerindo substâncias como café ou açúcar, administrando drogas como diuréticos, e usando eletrodos externos para a mensuração de velocidade de sinais nervosos estão entre os muitos testes que podem ser aplicados em si mesmo ou nos colegas.

Uso Responsável de Animais: Para estudantes que precisam de experiências práticas com animais, tais necessidades podem ser supridas de diversas maneiras humanitárias. Animais que morreram naturalmente, ou que sofreram eutanásia por motivos clínicos, ou que foram mortos em estradas, etc., são utilizados em algumas universidades para o estudo de anatomia e cirurgia. Para estudantes que precisam do uso de animais vivos, a prática clínica é o método mais aplicado e humanitário; em alguns cursos de veterinária, por exemplo, a habilidade cirúrgica é aprendida pelos estudantes através de operações severamente supervisionadas em pacientes animais, em clínicas veterinárias.

Estudos de Campo e de Observação: Existe uma gama ilimitada de práticas alternativas que podem ser aplicadas através do estudo em campo. Animais selvagens e domésticos, e obviamente humanos, oferecem oportunidades para o estudo prático não invasivo e não prejudicial no estudo de zoologia, anatomia, fisiologia, etologia, epidemiologia e ecologia. Tais métodos podem estimular os estudantes a reconhecerem suas responsabilidades sociais e ambientais.

Experiências In Vitro: Muitos procedimentos bioquímicos envolvendo tecido animal podem ser adequadamente experimentados em cultura de tecidos. Outros métodos in vitro, particularmente em toxicologia, podem ser utilizados microorganismos, cultura de células, substituindo o uso de animais e oferecendo excelente preparação para profissões em pesquisas humanas.

Fonte Interniche Brasil

Retirado do site do PEA

domingo, 17 de maio de 2009

A carne e a evolução


Algumas pessoas questionam os vegetarianos, partindo da teoria de que o consumo de carne foi essencial à evolução da espécie.
Como eu não tenho formação científica para discutir a teoria em si (e nem teria razão para isso), para essas horas eu resolvi deixar a argumentação tradicional de lado e adotar uma fábula, mostrando como esse tipo de estudo não influencia a validade do vegetarianismo:

Vamos imaginar o seguinte - um homem das cavernas que vamos chamar carinhosamente de Ugh. Ugh é praticamente um macaco, não tem a menor idéia do que seja agricultura e come o que consegue coletar nas árvores (isso quando não é inverno). Ugh então é um pobre homem-primata praticamente desnutrido.

Em um dia que não tinha absolutamente nada pra comer Ugh resolve imitar os animais dos quais normalmente foge e caça um animal pra comer. Ah, detalhe, antes disso ele desceu das árvores, teve que desenvolver alguma ferramenta, então a mudança de ambiente tb força uma evoluçãozinha... Temos agora a seguinte situação: Ugh continua comendo seus escassos vegetais como um bom menino, mas complementa com uma carne. De repente ele aumenta a ingestão de proteínas e gordura, algo meio escasso nas fontes vegetais da época. E claro que o organismo dele vai responder a esses estímulo.

O problema é que a carne, muito embora seja digerida pelo Ugh, tem uns efeitos bem desagradáveis e metade da tribo dele acaba morrendo pois a digestão é bastante estranha. Enquanto estavam, literalmente, "ughando", viram almoço de algum tigre mal intencionado. Os que resistem são os que aguentam melhor a digestão do bagulho - muito embora nosso intestino permaneça até hoje longo (mais próximo de um herbívoro que de um carvívoro). Quando descobrem o fogo, entretanto, a mastigação e digestão da carne acabam ficando facilitadas, aumentando o consumo. Mas os vegetais nunca foram deixados de lado - e o cozimento de tubérculos, aumentando a energia disponível, também é um marco evolucionário.

Aliás, carne é um alimento tão estranho que basta pensar no que o Dr. Atkins descobriu: se vc passar um mês comendo apenas carne, vai emagrecer (pois seu corpo entra em estado cetônico, o que não é saudável). Aliás, terá zilhões de complicações, mas é só para mostrar que não existe nenhum humano realmente carnívoro (pão, feijão e arroz são de origem vegetal, caso alguém não lembre).

Acontece que um dia mais belo ainda o Ugh (um descendende após milhões de anos) descobre que não precisa ficar indo de caverna em caverna pois se ele plantar algumas coisas elas nascem. Bem, a alimentação dele fica bem mais variada e mais fácil.

E aí, ele não só começa a parar de se preocupar com comida como tem tempo pra desenvolver outras coisas e tem até tempo pra ficar pensando (óóóóó - uau, pensar desenvolve o cérebro). Se temos ciências, filosofia, artes, isso se deve principalmente à agricultura que possibilitou ao homem algum tempo livre, não precisando mais se deslocar noite e dia em busca de alimentação.

Passamos vários milênios. Ugh (deve ser Ugh MCCLXXIX) hoje em dia é um advogado meio estressado e, porque a avó disse que ficaria doente sem carne, come até hoje. Só que ele tá meio obeso, hipertenso, com o colesterol alto, mais velho do que sua idade e um sério candidato a câncer de intestino... Mas como é que ele vai sobreviver sem o churrasquinho do final de semana?

Mas hoje em dia o Ugh não é nem caçador nem agricultor (tem gente que faz isso pra ele. Aliás, ele nem sabe de onde vêm metade das coisas que ele come, sem contar que ele não faz esforço físico nenhum pra isso). Ele tem disponibilidade de todo tipo de alimento que possa imaginar.

A grande questão é que NÃO EXISTEM ALIMENTOS ESSENCIAIS, EXISTEM NUTRIENTES ESSENCIAIS. Ou seja, dá pra viver muitíssimo bem e sem as desvantagens da carne. Será que esse não é o próximo passo da evolução? (Sim, é provocação.)

Então, vamos aos nutrientes que todo mundo invoca para não parar de comer carne:
a) Proteína: o organismo não absorve proteínas, absorve aminoácidos. Muito embora a carne contenha todos os chamados "aminoáciodos essenciais" (claro, é um ser vivo bem parecido conosco), ela não é a única fonte. As combinações (ao longo do dia, não é necessário ser na mesma refeiçã) de leguminosas com cereais preferencialmente integrais, cereais com oleaginosas (ou laticínios) ou sementes com leguminosas suprem as necessidade desses aminoácidos. Vegetarianos praticam atividade física e conseguem ganho de massa muscular; há inclusive vários atletas de alta performance vegetarianos.
b) Ferro: vegetais possuem o chamado "ferro não heme" (carne tem 60% do ferro nessa forma, também, mas não vamos aumentar a discussão). Pra absorver esse tipo de ferro, a única coisa que a pessoa tem que se preocupar é com manter uma ingestão adequada de vitamina C diária (ou seja, tem que fazer o que qualquer onívoro minimamente consciente com sua dieta faria). O fato é que índices de anemia em populações creófilas e vegetarianas são equivalentes, evidência que afasta a necessidade da carne.
c) Zinco: existe abundantemente em ovos, leite, feijões, sementes e castanhas.
d) Vitamina B12: tem em ovos e leite também. 1 gema ou 2 fatias de queijo por dia suprem a necessidade diária. Só que vitamina B12 é produzida por bactérias que moram no intestino de alguns animais (nós produzimos mas não absorvemos, a príncípio) e casca de frutas contaminadas (que, como lavamos, não dá pra contar como fonte). Então tem muito vegetariano que não come leite ou ovo e está bem pois faz suplementação (que pode ser desde tomar pílulas uma vez por semana, injeção uma vez por ano a comer algum alimento enriquecido). Fazer suplementação não é nada demais (a imensa maioria dos brasileiros, que vivem longe do litoral, depende da suplementação de iodo. Mas, como ele é adicionado ao sal, ninguém nem lembra disso).

Ugh não vive mais em "estado de natureza" e não depende de carne para mais nada. Mora em cidades, usa computadores, habita construções de alvenaria e troca dinheiro por comida. Invocar esse tipo de argumento para tentar invalidar o vegetarianismo denota, no mínimo, um grande desconhecimento da questão nutricional e da nossa realidade.

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( texto retirado do site vegvida)

Resposta à matéria: Vegetarianismo pode esconder distúrbios alimentares em adolescentes

Na matéria Vegetarianismo pode esconder distúrbios alimentares em adolescentes, publicada em 11 de maio de 2009 pelo caderno Folhateen do jornal eletrônico Folha Online, o Sr. Chico Felitti busca, com muita falta de habilidade, desinformar o público e distorcer os fatos sobre a saúde e hábitos de jovens vegetarianos. A matéria publicada na Folha Online pode ser lida aqui: http://www1.folha.uol.com.br/folha/equilibrio/noticias/ult263u563589.shtml

Para ilustrar a manipulação de informação à qual o leitor é induzido, a matéria informa que a porcentagem de vegetarianos que usam a dieta para controlar o peso ou para mantê-lo é de 20%. Qual seria a porcentagem de jovens onívoros que usam a dieta para perder peso? Se a ideia era fazer um alerta com relação ao comportamento dos vegetarianos, o jornalista falhou em colocar o problema em perspectiva ao deixar de comparar o comportamento dos jovens vegetarianos com o comportamento da norma.

Mais adiante, na mesma linha, o texto sugere que “parte” desses jovens que usam a dieta vegetariana para perder peso sofreriam de anorexia e bulimia, mas o autor falha em citar qual seria a porcentagem de anoréxicos e bulímicos dentro dessa porcentagem de 20%: “Dentre os vegetarianos, dois de cada dez admitiram usar a dieta verde para perder peso ou para mantê-lo. No controle da balança, usam táticas como comer pouco e vomitar“. Certamente ele quis que alguns desses 20% usam tais táticas, e não todos eles, o que poderia ser qualquer número entre 1 ou 108 indivíduos (o estudo avaliou 2.516 jovens, sendo 108 vegetarianos). Mas da maneira como foi escrito, ao ler a frase acima, o leitor desatento poderá facilmente ser levado a crer que os 20% citados são todos anoréxicos e bulímicos. Ademais, a porcentagem de jovens vegetarianos que sofrem desses distúrbios é maior do que a porcentagem de jovens onívoros? Se não é, qual foi o propósito em causar alarde?

O jornalista fecha com chave de ouro o penúltimo parágrafo, onde ele declara: “Há exceções: filho de vegetarianos, Juliano Vilela, 16, nunca tomou pílulas. Tampouco comeu carne. ‘Não sei qual é o gosto e nem quero saber.’”. Exceções?! Se estávamos falando de 20% de jovens que usam a dieta para controlar o peso (o que não caracteriza distúrbio), sendo que apenas uma fração (não informada) desses sofreria de distúrbios como anorexia e bulimia, quando foi que todo o restante (mais de 80% do total) passou a ser exceção? Pelos meus cálculos (e usando os números do próprio autor), qualquer número superior a 80% é maior do que qualquer número inferior a 20%, o que significa que a exceção (citada por ele como saudável) é a regra, e a regra (citada por ele como ortoréxica) é a exceção. Em nome da sanidade da informação, espero sinceramente que a falta de perspicácia do autor e a gafe da editoria da Folha Online ao deixar um texto com tamanho potencial de desinformação ser publicado sejam a exceção e não a regra.

Operações matemáticas primárias e expectativas à parte, o texto contém “erros” grotescos de informação de cabo a rabo. A abertura do texto sugere que o fato de 20% dos jovens que se dizem vegetarianos sofrerem de distúrbios alimentares seria um bom contra-argumento para a alegação de que quem não come carne é mais saudável. Será que o autor realmente pretendeu, usando esse único argumento, derrubar toda a sólida argumentação em favor da adoção de uma dieta vegetariana? Proeza difícil essa. Mas espere aí, está escrito ali no início do texto que 20% dos jovens vegetarianos sofrem de distúrbios alimentares? Sim, está escrito exatamente assim logo no primeiro parágrafo. Mas como já vimos, mais adiante no texto está escrito que 20% dos jovens usam a dieta para controlar o peso, o que não caracteriza distúrbio alimentar. O que é sugerido é que apenas uma parte (não declarada) desses 20% sofreria de distúrbios alimentares. Bom, estamos de volta às dificuldades com a ciência aritmética básica.

Já no ramo da ciência da saúde, uma vasta literatura científica aponta de maneira consistente para o fato de que vegetarianos (crianças, jovens e adultos) são mais saudáveis do que os seus parceiros onívoros, gozando de melhor saúde e longevidade. Aliás, a própria matéria em questão, em raros trechos dispersos entre a condução manipulada e maravilhas literárias como ‘proteger os bichinhos’ e ‘vegetas’, informa que:

* 4,3% dos jovens americanos são vegetarianos;
* 25% dos jovens americanos acha o vegetarianismo “cool” (bacana);
* a porcentagem de vegetarianos no Reino Unido cresceu de 1,8% nos anos 80 para 7% em 2005;
* nas palavras da autora do estudo: “vegetarianos têm menos chances de ter doenças cardíacas e diabetes”;
* nas palavras do autor do texto: “os ‘vegetas’ com dieta balanceada tendem a ingerir mais vitaminas e menos gordura do que quem come carne”;
* vegetarianos estão insatisfeitos com o atendimento prestado por nutricionistas.

Seja para os profissionais da área de saúde ou do jornalismo, a informação correta acompanhada de uma boa dose de aritmética básica é prescrição essencial.

George Guimarães
Nutricionista especializado em dietas vegetarianas
RG: 13.564.803-8
Fone: 11-5585-3475
e-mail: nutriveg@terra.com.br


Para ilustrar a manipulação de informação à qual o leitor é induzido, a reportagem declara que a porcentagem de vegetarianos que usam a dieta para controlar o peso ou para mantê-lo é de 20%. Qual seria a porcentagem de jovens onívoros que usam a dieta para perder peso? Se a ideia era fazer um alerta com relação aos vegetarianos, o jornalista falhou em colocar o problema em perspectiva ao ter falhado em comparar o comportamento dos jovens vegetarianos com o comportamento da norma.

Mais adiante, na mesma linha, o texto sugere que “parte” desses jovens que usam a dieta vegetariana para perder peso sofreriam de anorexia e bulimia, mas o autor falha em citar qual seria a porcentagem de anoréxicos e bulímicos dentro dessa porcentagem de 20%: “Dentre os vegetarianos, dois de cada dez admitiram usar a dieta verde para perder peso ou para mantê-lo. No controle da balança, usam táticas como comer pouco e vomitar“. Poderiam ser qualquer número entre 1 ou 108 indivíduos (o estudo avaliou 2.516 jovens, sendo 108 vegetarianos). Ao ler a frase acima, o leitor desatento pode facilmente ser levado a crer que os 20% citados são todos anoréxicos e bulímicos. A porcentagem de jovens vegetarianos que sofrem desses distúrbios é maior do que a porcentagem de jovens onívoros? Se não é, qual foi o propósito em causar esse alarde?

No penúltimo parágrafo, o jornalista fecha com chave de ouro: “Há exceções: filho de vegetarianos, Juliano Vilela, 16, nunca tomou pílulas. Tampouco comeu carne. ‘Não sei qual é o gosto e nem quero saber.’”. Se estávamos falando de 20% de jovens que usam a dieta para controlar o peso (o que não caracteriza distúrbio), sendo que apenas uma fração (não informada) desses poderia sofrer de distúrbios como anorexia e bulimia, quando foi que todo o restante (mais do que 80% do total) passou a ser exceção? Usando os números do próprio autor, pelos meus cálculos qualquer número superior a 80% é maior do que qualquer número inferior a 20%, o que significa, que a exceção citada como saudável é a regra e a regra citada como exceção é a exceção. Em nome da saúde da informação, espero que a falta de perspicácia do autor e a gafe da editoria da Folha Online ao ter deixado um texto com tamanho potencial de desinformação ser publicado sejam a exceção e não a regra.

Operações matemáticas primárias e expectativas à parte, o texto contém “erros” grotescos de informação de cabo a rabo. A abertura do texto declara que o fato de que 20% dos jovens que se dizem vegetarianos sofrerem de distúrbios alimentares seria contra-argumento para a alegação de que quem não come carne é mais saudável. O autor realmente pretendeu derrubar toda a argumentação em favor da adoção de uma dieta vegetariana com esse único argumento? Proeza difícil essa. Mas espere aí, ele escreveu que 20% dos jovens vegetarianos sofrem de distúrbios alimentares? Sim, está escrito exatamente assim no primeiro parágrafo do texto. Mas ele não havia dito mais adiante no texto, como já foi citado, que 20% dos jovens usavam a dieta para controlar o peso e apenas uma porcentagem (não declarada) desses sofria de distúrbios alimentares? Bom, estamos de volta às dificuldades com a ciência aritmética básica.

Já no ramo da ciência da saúde, uma vasta literatura científica aponta de maneira consistente para o fato de que vegetarianos (crianças, jovens e adultos) são mais saudáveis do que os seus parceiros onívoros, gozando de melhor saúde e longevidade. Aliás, a própria matéria em questão, em raros trechos dispersos entre a condução manipulada e maravilhas literárias como “proteger os bichinhos” e “vegetas”, informa que:

* 4,3% dos jovens americanos são vegetarianos;
* 25% dos jovens americanos achava o vegetarianismo “cool” (bacana);
* a porcentagem de vegetarianos no Reino Unido cresceu de 1,8% para 7% dos anos 80 para 2005;
* nas palavras da autora do estudo: “vegetarianos têm menos chances de ter doenças cardíacas e diabetes”;
* nas palavras do autor do texto: “os ‘vegetas’ com dieta balanceada tendem a ingerir mais vitaminas e menos gordura do que quem come carne”;
* vegetarianos estão insatisfeitos pelo atendimento prestado pelos nutricionistas.

Seja para os profissionais da área de saúde ou do jornalismo, a informação correta acompanhada de uma boa dose de aritmética é prescrição essencial!

George Guimarães
Nutricionista especializado em dietas vegetarianas
e-mail: nutriveg@terra.com.br
site: www.nutriveg.com.br

TERRÁQUEOS! Para os corajosos como eu =)

PARTE 1 :


PARTE 2:

PARTE 3:


PARTE 4:

PARTE 5:

PARTE 6:

PARTE 7:

PARTE 8:

PARTE 9( FINAL ):